Chocolate: a trajetória de crescimento do mercado brasileiro e o impacto na economia

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O chocolate consolidou-se como um elemento indissociável do cotidiano brasileiro, integrando uma cadeia produtiva robusta que abrange desde o cultivo do cacau até a industrialização final. O Brasil destaca-se no cenário global por reunir, em um único território, todas as etapas necessárias para a produção do doce, garantindo capilaridade mesmo em municípios de pequeno porte.

A relevância do setor foi reforçada por Jaime Recena, presidente da Abicab, durante o Dia Mundial do Chocolate. Segundo o executivo, a indústria mantém um foco constante em inovação para atender às expectativas dos consumidores, que buscam novidades frequentes nas prateleiras. Em 2024, o país registrou uma produção de 805 mil toneladas, volume que avançou para 814 mil toneladas no ano seguinte, mantendo uma trajetória de expansão sustentada.

Potencial de consumo e capilaridade nacional

Atualmente, o consumo per capita no Brasil situa-se próximo aos 4 kg anuais. Embora representativo, o índice ainda possui amplo espaço para crescimento, especialmente quando comparado aos mercados norte-americano e europeu, onde o consumo oscila entre 9 kg e 10 kg por habitante ao ano. A presença do produto em praticamente todas as cidades brasileiras, através de uma logística consolidada, é um dos pilares que sustentam essa projeção de aumento na demanda interna.

O movimento financeiro do setor atingiu R$ 42,5 bilhões em 2025, impulsionado pelo segmento de chocolates finos e pela diversificação de produtos fora do período sazonal da Páscoa. Essa mudança de comportamento do consumidor, que passou a ver o chocolate como um item de consumo diário e presenteável, tem sido fundamental para a estabilidade da indústria.

Desempenho no comércio exterior e exportações

O mercado externo também desempenha um papel estratégico. Dados do ComexStat indicam que, em 2025, o Brasil exportou 37,8 mil toneladas de chocolate, alcançando 168 países e gerando US$ 210,2 milhões. As exportações focam especialmente em vizinhos da América Latina, como Argentina, Chile e Paraguai, com um olhar crescente para o mercado árabe e europeu, este último favorecido por acordos comerciais.

No que tange ao cacau, a balança comercial reflete a dinâmica da produção interna e a necessidade de suprimento. Em 2025, as exportações de cacau somaram 53,5 mil toneladas, totalizando US$ 603,1 milhões. O setor continua investindo em parcerias com a Apex-Brasil para promover chocolates com maior teor de massa de cacau e frutos regionais, elevando o valor agregado do produto brasileiro no exterior.

Impacto no mercado de trabalho e agricultura familiar

A força do setor reflete diretamente na geração de empregos, com cerca de 450 mil postos de trabalho vinculados às indústrias associadas à Abicab. A Páscoa atua como um motor sazonal indispensável, registrando 14.558 vagas temporárias em 2026. Além da indústria de larga escala, o segmento da agricultura familiar tem ganhado destaque, exemplificado pela Bahia Cacau, que agrega valor ao produto em assentamentos rurais.

A sustentabilidade e a qualidade ganharam um novo marco regulatório com a Lei 15.404/2026. A norma, que entrará em vigor em 7 de maio de 2027, estabelece critérios rigorosos para a rotulagem e o percentual mínimo de cacau, conferindo maior segurança jurídica e transparência tanto para produtores quanto para consumidores em todo o território nacional.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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