Brasil integra consórcio internacional em busca da cura para a hepatite B

Brasil integra consórcio internacional em busca da cura para a hepatite B

Duas universidades públicas brasileiras firmaram uma parceria estratégica com instituições de referência global para investigar novos tratamentos e avançar na busca pela cura da hepatite B. O projeto, que integra pesquisa básica e prática clínica, coloca o Brasil em um consórcio internacional liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, com a participação de grupos da Índia, Senegal e Uganda.

A representação brasileira no estudo é composta pelo Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) e pela Universidade de São Paulo (USP). A colaboração científica visa compreender, em nível celular, o comportamento do vírus em diferentes populações, além de analisar as respostas imunológicas de pacientes infectados, incluindo aqueles com coinfecção por HIV.

Metodologia e objetivos do estudo global

O consórcio, que teve suas atividades retomadas após uma suspensão em 2024, estabeleceu um cronograma de cinco anos para a execução da pesquisa no Brasil. A metodologia prevê o acompanhamento de 600 pacientes ao redor do mundo, sendo 150 em cada país participante. A equipe liderada pela professora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes, é responsável pelo monitoramento de 75 desses voluntários.

O foco central da investigação é identificar fatores genéticos que influenciam a progressão da doença e determinar quais subpartículas virais podem servir como preditores de cura. Segundo Tânia Reuter, o objetivo é encontrar alvos biológicos que possibilitem o desenvolvimento de novos fármacos, como imunomoduladores, capazes de auxiliar no manejo clínico da infecção. O recrutamento de pacientes, iniciado em julho, já conta com 40 participantes, com a meta de atingir o grupo completo até o final deste ano.

Impacto da hepatite B na saúde pública

A hepatite B é reconhecida como uma das principais causas de câncer hepático e cirrose em todo o mundo. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 240 milhões de pessoas vivem com a infecção crônica. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 276,6 mil casos confirmados entre os anos de 2000 e 2022, evidenciando a necessidade de intervenções mais eficazes.

A transmissão ocorre principalmente por via sexual ou contato com sangue contaminado, incluindo a transmissão vertical durante a gestação ou parto. Especialistas alertam que o vírus da hepatite B possui um alto grau de infectividade, sendo considerado até 100 vezes mais contagioso que o HIV. A meta estabelecida pela OMS é eliminar as hepatites virais como um problema de saúde pública até 2030, um desafio que impulsiona a urgência desta pesquisa internacional. Mais informações sobre o panorama da doença podem ser consultadas no portal oficial do Ministério da Saúde.

Estratégias de prevenção e vacinação

A vacinação permanece como a principal ferramenta de prevenção contra a hepatite B. O imunizante está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para todas as faixas etárias. Para o público infantil, o esquema vacinal recomendado consiste em quatro doses, aplicadas ao nascer e aos 2, 4 e 6 meses de idade. Para adultos, o protocolo padrão exige a administração de três doses para garantir a proteção completa.

Além da imunização, as autoridades de saúde reforçam a importância de medidas complementares para evitar a propagação do vírus. O uso consistente de preservativos em todas as relações sexuais e a não utilização compartilhada de objetos perfurocortantes ou de higiene pessoal são orientações fundamentais. A conscientização sobre essas práticas é essencial para reduzir a incidência de novas infecções enquanto a ciência trabalha por soluções terapêuticas definitivas.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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