Marcha das Mulheres Negras em São Paulo exige justiça por Luana Barbosa após uma década

Marcha das Mulheres Negras em São Paulo exige justiça por Luana Barbosa após uma década

A 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo ocupou a Praça Roosevelt, na região central da capital paulista, neste sábado (25), para reivindicar direitos e denunciar a impunidade. O ato foi marcado pela memória de Luana Barbosa, mulher negra, lésbica e periférica cuja morte completa 10 anos sem que nenhum dos envolvidos tenha sido preso ou condenado.

O evento reuniu centenas de participantes, incluindo lideranças políticas, feministas, religiosas e artistas. A mobilização reforçou a urgência de políticas públicas voltadas para a reparação histórica e a proteção da população negra, que segue sendo alvo de violência sistêmica no Brasil.

Uma década de impunidade e a luta por reparação

O caso de Luana Barbosa, agredida por policiais militares em abril de 2016 na porta de sua casa, tornou-se um símbolo da luta contra o racismo institucional. A ausência de uma resposta judicial efetiva após uma década é apontada por movimentos sociais como um reflexo da negligência do Estado brasileiro.

Juliana Gonçalves, cofundadora do evento, ressaltou que a morte de Luana não é um episódio isolado. Ela citou os casos de Ieda e Fabiana, outras mulheres negras e lésbicas assassinadas em São Paulo, como evidências de uma realidade alarmante que exige enfrentamento contínuo.

Ancestralidade e resistência cultural na Praça Roosevelt

A programação do evento integrou manifestações artísticas e espirituais. O coletivo Bando das Macuas realizou uma performance inspirada na ancestralidade do povo Macuas, de Moçambique. A apresentação, baseada no espetáculo “Anunciação”, buscou reverenciar as mulheres presentes na marcha.

O palco também foi ocupado por DJs que utilizaram o rap e o hip hop como ferramentas de protesto. A música serviu como trilha sonora para as reivindicações políticas, conectando a cultura urbana à pauta de direitos humanos e igualdade social.

Religião e o debate sobre o Estado laico

Representantes de religiões de matriz africana trouxeram à tona a vulnerabilidade de seus praticantes. Ìyalóde Marisa de Oya destacou que o racismo religioso e a violência policial revelam as falhas na laicidade do país, onde o preconceito contra o candomblé e a umbanda ainda resulta em agressões físicas e exclusão social.

O evento também contou com a presença da Rede de Mulheres Negras Evangélicas, grupo atuante desde 2018. A diversidade de vozes no ato reforçou o lema da edição deste ano: “Mulheres negras nas ruas e nas urnas”, evidenciando a busca por representatividade e segurança para as futuras gerações. Mais informações sobre o contexto histórico podem ser consultadas na Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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