Marcelo Del Negri/MPF-RJ
O Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro finalizou, na quarta-feira (12), mais uma fase do recolhimento de documentos históricos que estavam sob custódia da Polícia Civil. O material encontrava-se no antigo prédio do Instituto Médico Legal (IML), localizado na Rua dos Inválidos, na Lapa, região central da capital fluminense.
Como o Arquivo Público não possui infraestrutura suficiente para comportar a totalidade do volume documental, o governo estadual iniciou a busca por um novo imóvel. O objetivo é garantir a guarda temporária e segura de todo o material enquanto se define o destino final dos registros.
Logística de preservação e parcerias acadêmicas
Paralelamente à busca por um novo espaço, o governo mantém tratativas para a destinação provisória de parte dos documentos. O acervo passará por um rigoroso processo de tratamento técnico antes de ser transferido definitivamente para o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro.
Instituições de ensino superior, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), manifestaram interesse em colaborar com o resgate. A Unirio, em parceria com o Arquivo Público, já elaborou um projeto específico para o tratamento da documentação, contando também com a perspectiva de financiamento externo para as ações de preservação.
Resgate de documentos da ditadura e do Estado Novo
O acervo possui valor histórico inestimável, contendo registros cruciais sobre a repressão durante o Estado Novo e a ditadura militar. A situação crítica do prédio, que permaneceu abandonado por anos, gerou um incidente grave em maio deste ano, quando papéis e registros foram arremessados pelas janelas da edificação.
A intervenção de órgãos federais foi determinante para evitar a perda definitiva de informações. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Polícia Federal atuaram na contenção de danos, enquanto o Ministério Público Federal liderou os esforços de resgate de pastas, microfilmes, livros de registros de óbitos e laudos periciais. Para mais detalhes sobre a cronologia do caso, consulte a Agência Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


