A Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) tornou-se foco de atenção pública após o diagnóstico do influenciador e especialista em aviação Lito Souza. Trata-se de uma condição neurológica rara, caracterizada por uma rápida progressão e desfecho fatal, que desafia a comunidade científica devido à escassez de tratamentos eficazes e à complexidade de seus mecanismos biológicos.
A patologia é classificada como uma doença priônica, ocorrendo quando proteínas anormais, chamadas príons, acumulam-se no cérebro. Esse acúmulo compromete severamente o funcionamento do órgão, levando à neurodegeneração. No Brasil, a incidência é baixa, com menos de 100 casos suspeitos registrados anualmente, conforme dados da Secretaria de Vigilância em Saúde.
Mecanismos de progressão e danos cerebrais
O processo de degeneração ocorre de forma acelerada. Quando a forma alterada da proteína encontra uma proteína saudável, ela induz uma mudança estrutural, desencadeando um efeito dominó. Esse fenômeno resulta no aglomerado de proteínas que causa a morte dos neurônios.
Embora a causa exata do acúmulo de príons permaneça desconhecida na maioria dos casos, pesquisadores investigam se infecções virais podem atuar como gatilhos. O estresse celular provocado pela replicação de certos vírus é uma das hipóteses estudadas para explicar por que as células perdem a capacidade de processar essas proteínas corretamente.
Origens genéticas e fatores de risco
A professora Tuane Vieira, pesquisadora do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que uma minoria dos casos possui origem genética, decorrente de mutações específicas. Em situações extremamente raras, a transmissão pode ocorrer via procedimentos médicos invasivos ou pelo consumo de carne contaminada.
A idade é um fator relevante na manifestação da doença. À medida que o organismo envelhece, a capacidade das células de corrigir erros de processamento proteico diminui, elevando a probabilidade de surgimento da DCJ. Contudo, o caso de Lito Souza, aos 59 anos, ilustra que a condição não é exclusiva de faixas etárias mais avançadas.
Busca por alternativas terapêuticas
Atualmente, não existe cura ou tratamento capaz de deter a progressão da DCJ. O manejo clínico foca no suporte ao paciente, enquanto a comunidade científica internacional busca alternativas em fases experimentais. Instituições nos Estados Unidos, como o Broad Institute e a farmacêutica Ionis, conduzem estudos clínicos que representam a esperança de pacientes e familiares.
A família de Lito Souza, criador do canal Aviões e Músicas, tem buscado a inclusão do piloto em protocolos de pesquisa internacionais. Relatos da esposa, Mila Seidl, indicam que, apesar da lucidez preservada, o quadro apresenta desafios motores e visuais significativos, refletindo a gravidade e a rapidez com que a doença atua no sistema nervoso central.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


