Vacinação contra HPV reduz prevalência do vírus pela metade no Brasil

Vacinação contra HPV reduz prevalência do vírus pela metade no Brasil

A prevalência dos principais tipos de HPV caiu quase à metade no Brasil após a implementação da vacinação, conforme aponta o maior estudo sobre a eficácia do imunizante já realizado na América Latina. Os dados, que comparam períodos distintos, evidenciam o impacto positivo da estratégia de saúde pública no controle da infecção entre jovens.

Eficácia da vacinação contra HPV e redução da prevalência

Dados coletados entre 2016 e 2017 indicaram que 14,98% dos participantes haviam sido infectados por pelo menos um dos quatro tipos de vírus cobertos pela vacina. Em contraste, nas amostras analisadas entre 2020 e 2023, essa proporção recuou para 7,95%. A pesquisa, denominada Pop-Brasil, foi conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em colaboração com o Ministério da Saúde.

O estudo focou em jovens de 16 a 25 anos, faixa etária que apresenta a maior prevalência do vírus devido ao início da atividade sexual. Na primeira fase, foram analisados 6.388 participantes não vacinados. Na segunda etapa, a amostra expandiu-se para mais de 10 mil pessoas, incluindo indivíduos vacinados e não vacinados, com coletas realizadas em unidades de saúde.

Impacto populacional e efeito rebanho

Embora a cobertura vacinal ideal seja de 90%, a pesquisa revelou índices aquém do esperado: 61,8% entre mulheres e apenas 31,1% entre homens. Apesar disso, o imunizante demonstrou um notável “efeito rebanho”. Entre as mulheres, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pela vacina caiu de 15,6% na primeira fase para 3,1% entre as vacinadas na segunda etapa.

O benefício estendeu-se até mesmo às não vacinadas, que apresentaram uma prevalência de 10,5% na segunda fase, demonstrando que a alta circulação da vacina protege indiretamente a população. Entre os homens vacinados, a prevalência dos subtipos caiu de 13,8% para 4,6%, embora não tenha havido mudança estatisticamente significativa entre os não vacinados do sexo masculino, reflexo da menor adesão ao imunizante por esse público.

Validação do esquema de dose única no SUS

Um dado relevante do estudo é a constatação de que o esquema de dose única, adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024, apresenta eficácia comparável aos esquemas de duas ou três doses. A pesquisa não encontrou diferenças significativas na prevalência do vírus entre os indivíduos, independentemente do número de doses recebidas.

O HPV é o principal agente causador do câncer do colo do útero, além de estar associado a neoplasias no pênis, ânus e garganta. Atualmente, o público-alvo da vacinação no SUS abrange crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de grupos vulneráveis, como imunossuprimidos e vítimas de violência sexual.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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