A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), trouxe a público um cenário de forte tensão política e financeira ao questionar a distribuição de emendas parlamentares destinadas ao município. Em declarações recentes, a gestora destacou uma disparidade significativa nos valores repassados pelo senador Jayme Campos (União), contrastando o montante recebido por sua administração com os recursos destinados ao seu antecessor, Kalil Baracat (MDB).
Disparidade em emendas parlamentares e apoio político
Segundo a prefeita, enquanto a gestão de Kalil Baracat foi contemplada com R$ 94 milhões em emendas para a área da saúde apenas em 2024, sua administração recebeu pouco mais de R$ 2 milhões. Flávia Moretti ressaltou que, embora não possa confirmar uma atuação deliberada para prejudicar seu mandato, a falta de colaboração do senador é evidente diante das necessidades urgentes enfrentadas pelo município.
A prefeita enfatizou que esperava um suporte mais robusto de um parlamentar que se posiciona como defensor histórico de Várzea Grande. A situação ganha contornos mais críticos em um momento em que a cidade atravessa um período de severas restrições orçamentárias e desafios administrativos.
Peso dos precatórios e herança de gestões passadas
Além da questão das emendas, Flávia Moretti apontou que a prefeitura lida com o peso de dívidas acumuladas por administrações anteriores, incluindo débitos que remontam ao período em que Jayme Campos esteve à frente do executivo municipal. A prefeita mencionou que o município enfrenta o pagamento de precatórios que somam R$ 1,1 bilhão, sendo que um dos processos, originado por uma desapropriação de 1980, atingiu o valor de R$ 180 milhões.
A gestora detalhou o impacto direto dessas dívidas em seu fluxo de caixa atual. Enquanto gestões anteriores, como as de Kalil Baracat e Lucimar Campos, arcavam com parcelas mensais entre R$ 300 mil e R$ 700 mil, a atual administração foi compelida a desembolsar R$ 6,5 milhões mensais para honrar os compromissos judiciais.
Calamidade financeira e medidas de austeridade
As críticas da prefeita surgem apenas uma semana após a decretação de estado de calamidade financeira em Várzea Grande e no Departamento de Água e Esgoto (DAE). A medida foi motivada pela insuficiência de caixa e pelo bloqueio de R$ 19,7 milhões nas contas municipais, determinado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) devido à inadimplência nos precatórios.
O decreto visa implementar um rigoroso plano de redução de despesas e reorganização fiscal. No caso do DAE, a situação é classificada como grave, com um déficit orçamentário que ameaça a continuidade dos serviços essenciais de abastecimento de água para a população várzea-grandense.
Fonte: olhardireto.com.br


