A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (15) a Operação Fariseus, com o objetivo de desarticular um esquema que utilizava o pretexto de assistência religiosa para estabelecer conexões indevidas com lideranças do Comando Vermelho. Entre os principais alvos da investigação estão os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, além de sua filha, Rhavenna Barcelos de Almeida. A família é suspeita de utilizar projetos de evangelização como fachada para facilitar a comunicação e o fluxo de recursos para detentos de alta periculosidade.
Investigação sobre o uso de projetos religiosos em presídios
O inquérito policial teve início após denúncias anônimas apontarem que os investigados utilizavam o acesso concedido a projetos religiosos para entrar na Penitenciária Central do Estado (PCE). A suspeita inicial era de que o grupo estaria introduzindo celulares e outros itens ilícitos no raio de segurança máxima da unidade. Embora a entrega física dos aparelhos ainda seja objeto de apuração, a análise de dados telemáticos autorizada pela Justiça trouxe à tona uma rede de contatos que ultrapassa os limites da assistência espiritual.
Registros financeiros e conversas interceptadas indicam que a família atuava na intermediação de recados entre internos e pessoas em liberdade. Além disso, foi identificada uma complexa estrutura de triangulação financeira, onde contas de terceiros eram utilizadas para fracionar e repassar valores atribuídos a lideranças da facção criminosa. A polícia cumpriu mandados de prisão preventiva contra Rhavenna Barcelos de Almeida e realizou buscas em locais como o estabelecimento A Burguesinha dos Looks, no bairro Pedregal.
Conexões armadas e registros em redutos de facções
Um dos aspectos mais graves da investigação envolve viagens realizadas pelos suspeitos a uma comunidade no Rio de Janeiro. Em áreas dominadas pelo crime organizado, os investigados foram fotografados ao lado de foragidos da Justiça e integrantes da segurança armada da facção. O material apreendido inclui registros de crianças portando armas de fogo e fotografias dos próprios investigados manipulando fuzis, pistolas e carabinas, muitas vezes com personalizações que remetem à organização criminosa.
As autoridades destacam que as videochamadas foram fundamentais para a coleta de provas. Em um dos episódios documentados, um conselheiro da facção, que se encontra foragido, participou de uma chamada de vídeo enquanto um comparsa realizava disparos de fuzil em um ambiente público. Esse conjunto de evidências reforça a tese de que a atuação da família não se restringia ao âmbito religioso, mas envolvia uma colaboração ativa com a logística e a imagem do grupo criminoso, conforme reportado pelo Olhar Direto.
Fonte: olhardireto.com.br


