Desconhecimento sobre prevenção do câncer
Um estudo inédito revela que 25% dos brasileiros ignoram a possibilidade de prevenir o desenvolvimento de tumores malignos. O relatório Mais Dados Mais Saúde, divulgado em 3 de junho, aponta que a percepção pública sobre os fatores de risco é desigual, variando drasticamente conforme o hábito analisado. A pesquisa, realizada com 6,5 mil pessoas em todo o país, contou com a colaboração técnica do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
O cenário é preocupante diante das projeções do Inca, que estima 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028. Esse aumento de 10,9% é atribuído tanto ao envelhecimento populacional quanto à persistência de comportamentos de risco, como o sedentarismo e a má alimentação, que ainda carecem de maior visibilidade como ameaças à saúde.
Percepção desigual sobre fatores de risco
A consciência dos brasileiros sobre o que causa câncer é alta em relação ao tabagismo, com 90,5% dos entrevistados reconhecendo o cigarro como um perigo. A herança genética e a exposição solar excessiva também possuem índices elevados de reconhecimento, superando 88%. Contudo, o cenário muda quando se trata de hábitos cotidianos menos debatidos publicamente.
O sedentarismo é um dos pontos mais críticos, sendo identificado como fator de risco por apenas 48,3% da população. Da mesma forma, o consumo de bebidas alcoólicas, carnes processadas e alimentos ultraprocessados não é amplamente associado à doença. Especialistas apontam que a diferença de percepção é reflexo direto da intensidade de campanhas informativas e políticas públicas, que historicamente priorizaram o combate ao tabaco.
Desafios no combate à obesidade e sedentarismo
A obesidade e o sobrepeso são reconhecidos como fatores de risco por apenas 54,1% dos brasileiros. A falta de associação entre o estilo de vida e o câncer também se estende ao consumo de bebidas adoçadas e à baixa ingestão de vegetais. Luciana Grucci Moreira, do Inca, destaca que a informação isolada não basta; é fundamental que o Estado garanta acesso a alimentos saudáveis e espaços seguros para a prática de exercícios físicos.
A pesquisa também revelou que o aleitamento materno, um importante fator de proteção contra o câncer de mama, é desconhecido por 40% dos entrevistados. Essa lacuna de conhecimento reforça a necessidade de estratégias de comunicação mais abrangentes, que integrem educação em saúde e mudanças estruturais no ambiente urbano e alimentar.
Comportamentos de risco entre os jovens
O levantamento aponta que a faixa etária de até 24 anos apresenta maior resistência à mudança de hábitos. Jovens são os que mais consomem ultraprocessados, bebidas adoçadas e carnes vermelhas sem a intenção de reduzir a ingestão. Esse padrão de comportamento, se mantido, pode impactar as estatísticas de incidência de câncer nas próximas décadas.
Em relação ao álcool, embora metade da população declare não consumir, os jovens lideram o grupo que consome e não deseja diminuir o hábito. O desafio para as autoridades de saúde pública é criar engajamento com esse público, superando a barreira da desinformação e promovendo escolhas mais saudáveis antes que os danos à saúde se tornem irreversíveis.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


