Auditoria de emendas PIX de Carlos Fávaro em Jangada segue sob análise

Auditoria de emendas PIX de Carlos Fávaro em Jangada segue sob análise

A destinação de R$ 28,7 milhões em emendas Pix pelo senador Carlos Fávaro (PSD) ao município de Jangada, em Mato Grosso, permanece sob rigorosa investigação pelos órgãos de controle. O montante, que representa a maior concentração individual de recursos identificada nas transferências do parlamentar, é alvo de uma auditoria coordenada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e de uma Tomada de Contas Especial instaurada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

O caso ganhou relevância durante o período eleitoral, à medida que o senador busca a reeleição ao cargo. A fiscalização busca esclarecer inconsistências na execução dos recursos, que foram majoritariamente direcionados a obras de infraestrutura viária no município.

Concentração de recursos e questionamentos técnicos

A análise dos dados aponta que R$ 26,5 milhões — cerca de 92,3% do total repassado — foram aplicados em apenas três contratos de pavimentação firmados com duas empresas distintas. O Tribunal de Contas da União, por meio de auditoria nacional autorizada pelo ministro Walton Alencar Rodrigues em 2025, iniciou o escrutínio sobre a transparência e a rastreabilidade dessas transferências especiais.

Relatórios técnicos do TCE-MT identificaram disparidades significativas entre o planejado e o executado. Entre as irregularidades apontadas estão pagamentos realizados acima dos preços de mercado, medições de serviços superiores ao que foi efetivamente entregue e a utilização de materiais com qualidade inferior à especificada nos editais de licitação.

Divergências físicas e falhas de execução

As vistorias in loco realizadas pelos técnicos revelaram problemas estruturais concretos nas obras de pavimentação. Em um dos trechos analisados, a largura da via, projetada para oito metros, foi executada com apenas 5,4 metros. Além disso, camadas de base e sub-base, que deveriam totalizar 40 centímetros de espessura, apresentaram medidas entre 13 e 16 centímetros.

Diante dessas evidências, o TCE-MT determinou a abertura de uma Tomada de Contas Especial para quantificar eventuais danos ao erário e identificar os responsáveis pelas falhas. Embora não exista uma condenação definitiva ou sentença final sobre superfaturamento, o procedimento segue em curso para aprofundar a apuração dos fatos.

Auditoria da Controladoria-Geral da União

Em 2026, a Controladoria-Geral da União (CGU) também incluiu o repasse a Jangada em seu cronograma de auditorias, atendendo às determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a necessidade de maior transparência nas emendas parlamentares. O relatório, divulgado em julho, reforçou a existência de falhas críticas no planejamento, na movimentação financeira e na prestação de contas dos valores.

O cenário de incerteza jurídica sobre a execução desses contratos permanece como uma pendência administrativa enquanto o processo eleitoral avança. Até o momento, as autoridades não fixaram o valor de um possível prejuízo aos cofres públicos, mantendo o caso sob monitoramento constante dos órgãos de fiscalização.

Fonte: olhardireto.com.br

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