O ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal (PF) para apurar a origem e a legalidade de repasses financeiros destinados à produção do filme Dark Horse. A obra cinematográfica narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro e tornou-se alvo de escrutínio após revelações sobre o modelo de seu financiamento.
A decisão do magistrado atende a uma solicitação formal apresentada pela própria Polícia Federal, que recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O procedimento visa esclarecer se houve irregularidades na movimentação de recursos privados para a viabilização do projeto audiovisual.
Investigação sobre repasses do Banco Master
O foco principal da apuração recai sobre o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo informações divulgadas em maio pelo portal The Intercept, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria solicitado apoio financeiro ao banqueiro para custear as gravações da cinebiografia.
Relatos indicam que o montante repassado entre fevereiro e maio de 2025 teria atingido a marca de R$ 61 milhões. A investigação busca determinar se esses valores foram aplicados conforme as normas legais e se houve contrapartidas indevidas envolvidas na transação financeira.
Defesa do senador e origem dos recursos
Após a divulgação de áudios que indicariam conversas entre o senador e o empresário, ocorridas em novembro do ano passado, a defesa de Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade. O parlamentar sustenta que não houve negociação de vantagens indevidas e reforça que os valores destinados à produção do filme possuem natureza estritamente privada.
O caso ganhou contornos jurídicos no STF após uma representação protocolada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). A PGR, ao analisar o pedido, concordou com a necessidade de aprofundar as diligências para verificar a licitude dos fluxos financeiros identificados.
Andamento do inquérito e próximos passos
Com a autorização de André Mendonça, a Polícia Federal ganha autonomia para realizar oitivas, analisar documentos bancários e solicitar quebras de sigilo, caso considere necessário para o esclarecimento dos fatos. Até o momento, a produtora Up Entertainment, responsável pela execução do filme, não se manifestou sobre as investigações em curso.
O inquérito se insere em um contexto mais amplo de apurações envolvendo o Banco Master, que tem sido alvo de atenção das autoridades em diferentes frentes. A expectativa é que o trabalho da PF forneça elementos concretos para que o STF possa avaliar a existência de eventuais crimes financeiros ou tráfico de influência no caso.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


