A busca por um equilíbrio mais saudável entre a vida digital e a realidade ganha um novo capítulo no Brasil com o lançamento do Dia do Reset. A iniciativa, promovida pela organização Outward Bound Brasil, propõe uma pausa voluntária de 24 horas no uso de redes sociais e dispositivos conectados, incentivando os participantes a redirecionarem seu tempo para atividades ao ar livre, convivência social e momentos de introspecção.
O movimento, que oficializa suas inscrições nesta quarta-feira (26), culminará em uma ação nacional agendada para o dia 26 de setembro. O objetivo central é mobilizar 200 mil brasileiros, visando alcançar entre 250 mil e 700 mil horas de desconexão coletiva. A proposta não se posiciona contra a tecnologia, mas busca conscientizar sobre a necessidade de retomar o controle sobre o tempo gasto no ambiente virtual.
Impactos da hiperconexão na saúde mental
O cenário brasileiro justifica a preocupação dos organizadores. Dados indicam que o país ocupa uma das primeiras posições globais em tempo médio de uso de redes sociais, com uma média de 116 horas semanais por pessoa. Esse comportamento tem reflexos diretos na saúde pública, conforme aponta o conselheiro da Outward Bound Brasil, Eduardo Becker.
Segundo o especialista, 54% dos jovens brasileiros apresentam quadros de ansiedade ou pânico, enquanto 80% não atingem o nível mínimo de atividade física recomendado pela Organização Mundial da Saúde. O movimento define esse fenômeno como uma pandemia silenciosa, onde o uso excessivo de telas compromete a qualidade de vida e o bem-estar físico e emocional da população.
Metodologia e engajamento social
A Outward Bound Brasil, que atua no país desde o ano 2000, utiliza a natureza como pilar de sua metodologia educacional. O Dia do Reset, inspirado na edição norte-americana realizada em 2025, convida indivíduos, famílias, escolas e empresas a planejarem como preencherão o período de 24 horas offline. Sugestões como caminhadas, rodas de conversa e jogos em família são incentivadas pela organização.
A mobilização já conta com o apoio de mais de 80 empresas e diversas personalidades, incluindo o pediatra Daniel Becker, o escritor Ilan Brenman e a montanhista Aretha Duarte. Além do aspecto comportamental, o projeto possui um viés social, com patrocinadores financiando bolsas para jovens em situação de vulnerabilidade em programas educacionais da instituição.
Equilíbrio como meta de vida
O diretor executivo da organização, Andreas Martin, reforça que a intenção é promover uma reflexão sobre a intencionalidade do uso tecnológico. A ideia é que o indivíduo compreenda que, antes de ser um usuário de redes sociais, ele é um ser humano que necessita de presença e conexões reais para construir uma vida significativa.
Para facilitar a adesão, o movimento disponibiliza guias de atividades e materiais educativos por meio de seu site oficial. A ação busca transformar a desconexão em uma ferramenta de autoconhecimento, provando que é possível manter a tecnologia como aliada sem permitir que ela dite o ritmo da rotina diária.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


