A educação brasileira apresentou avanços significativos nas últimas duas décadas, reduzindo a distância de desempenho em relação aos países desenvolvidos. Os dados mais recentes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), referentes ao ano de 2025 e divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), confirmam que, embora o país ainda esteja abaixo da média global, a trajetória de aproximação é consistente.
O exame, aplicado a cada três anos, avalia estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Em 2025, o Brasil registrou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Comparativamente, a média de 23 países da OCDE situou-se em 466, 469 e 486 pontos, respectivamente. A evolução histórica é notável: entre 2006 e 2025, a diferença de desempenho em leitura caiu 44 pontos, enquanto em matemática e ciências as reduções foram de 39 e 36 pontos, respectivamente.
Desempenho acadêmico e recuperação pós-pandemia
Os resultados de 2025 indicam uma estabilidade em relação ao ciclo de 2022, com destaque para a recuperação em ciências, onde o Brasil superou os níveis pré-pandemia. O país demonstrou resiliência, registrando perdas menos acentuadas em leitura e matemática do que a média observada entre os membros da OCDE no período entre 2018 e 2025. A avaliação foi conduzida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), abrangendo 30.140 estudantes brasileiros.
Inovações digitais e o uso de celulares em sala de aula
O nono ciclo do Pisa introduziu a dimensão de Aprendizagem no Mundo Digital, focada na resolução de problemas por meio de ferramentas computacionais. O Brasil alcançou 406 pontos neste quesito, ficando abaixo da média da OCDE, que atingiu 500 pontos. Paralelamente, o cenário escolar brasileiro passou por uma transformação regulatória: 81% dos alunos avaliados frequentam instituições com restrições ao uso de celulares, um salto expressivo frente aos 37% registrados em 2022.
Essa mudança reflete a aplicação da Lei nº 15.100/2025, que normatiza o uso de dispositivos móveis na educação básica. Segundo o Ministério da Educação, a medida está alinhada às evidências de que a redução de distrações digitais favorece o foco dos estudantes. O uso excessivo de tecnologia, conforme apontado em relatórios anteriores, permanece como um fator de risco para o rendimento escolar global.
Engajamento estudantil e consciência ambiental
Além das competências técnicas, o Pisa 2025 avaliou o perfil socioemocional dos jovens. O interesse por temas diversos e a perseverança diante de desafios foram pontos positivos, com apenas 16% dos brasileiros considerando a escola uma perda de tempo, índice inferior à média da OCDE, que é de 24%. O reconhecimento do valor da educação mostrou-se um diferencial, com estudantes que valorizam o ambiente escolar obtendo, em média, 35 pontos a mais em ciências.
Outro destaque foi o engajamento ambiental. O Brasil superou a média da OCDE em indicadores de consciência ecológica, com 84% dos estudantes acreditando na capacidade de gerar impactos positivos no meio ambiente. A confiança na ação coletiva para a resolução de problemas globais também foi um ponto forte, com 87% dos jovens brasileiros manifestando otimismo quanto ao trabalho em grupo para promover mudanças sociais.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


