Golpe do amor é usado por detentos de Pernambuco para extorquir vítimas no Distrito Federal

© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Tróia com o objetivo de desarticular um esquema criminoso operado de dentro de unidades prisionais em Pernambuco. Detentos utilizavam aplicativos de relacionamento para atrair vítimas no Distrito Federal, combinando a sedução digital com ameaças graves baseadas na falsa alegação de pertencerem a facções criminosas.

A investigação revelou uma estrutura organizada que operava a partir do Presídio de Igarassu. O modus operandi envolvia a criação de perfis falsos, a coleta de dados pessoais e a posterior extorsão financeira, utilizando o medo como ferramenta principal para coagir os alvos a realizarem transferências bancárias sob ameaça de represálias contra suas famílias.

Mecanismo do golpe do amor e a extorsão digital

O esquema, que ficou conhecido como golpe do amor, iniciava-se com a interação em plataformas de relacionamento. Após estabelecer um vínculo inicial e obter informações confidenciais das vítimas, os criminosos alteravam a dinâmica da conversa, passando a exigir pagamentos sob a justificativa de que a mulher com quem a vítima interagia seria companheira de um líder de facção.

A ameaça de execução da família da vítima era o ponto central da coação. O delegado Tell Marzal, responsável pelas investigações, destacou que os detentos demonstravam uma organização estruturada, com divisão clara de tarefas, mesmo estando privados de liberdade. A pressão psicológica era mantida por meio de ligações telefônicas feitas diretamente de dentro do presídio.

Estrutura operacional e lavagem de dinheiro

A organização criminosa contava com um núcleo financeiro externo para viabilizar o lucro das atividades ilícitas. Após a exigência do pagamento, os valores eram transferidos para contas de terceiros, conhecidos como laranjas. A operação contava com o auxílio de mulheres responsáveis pela movimentação e lavagem desses recursos.

O dinheiro obtido através das extorsões passava por um processo de pulverização entre diversas contas bancárias. O objetivo era dificultar o rastreamento pelas autoridades e conferir uma aparência de legalidade aos valores antes do saque final. Para mais detalhes sobre as ações de combate ao crime organizado, consulte a Agência Brasil.

Impacto e desdobramentos da Operação Tróia

A denúncia que deu início à operação partiu de um morador do Riacho Fundo, no Distrito Federal. O relato da vítima foi fundamental para que a Polícia Civil pudesse mapear a rede de contatos e identificar os responsáveis pelas ameaças e pela gestão financeira do grupo criminoso.

As autoridades reforçam o alerta para os riscos de compartilhar informações pessoais em ambientes digitais. A sofisticação dos golpes atuais demonstra que a vigilância deve ser constante, especialmente em interações com desconhecidos em aplicativos de mensagens e redes sociais.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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