O Brasil oficializou a ratificação dos tratados de livre comércio firmados pelo Mercosul com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e com Singapura. O depósito dos instrumentos de ratificação ocorreu em 30 de junho junto ao governo do Paraguai, que ocupou a presidência rotativa do bloco sul-americano no primeiro semestre. A medida representa um passo decisivo na estratégia nacional de diversificação de mercados e fortalecimento da presença brasileira em cadeias globais de valor.
A confirmação da conclusão dos processos foi emitida pelos Ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Com a formalização, o país projeta um salto expressivo na parcela da corrente de comércio beneficiada por preferências tarifárias, que deve subir de 12% para 31,2% com a implementação conjunta destes acordos e do tratado com a União Europeia.
Expansão no mercado europeu via EFTA
O acordo com a EFTA, bloco composto por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, foi assinado originalmente no Rio de Janeiro em setembro de 2025. A parceria visa integrar economias que, somadas ao Mercosul, alcançam um universo de mais de 280 milhões de consumidores.
Com a vigência do tratado, 99% do valor das exportações brasileiras para esses países terão acesso preferencial. O setor produtivo nacional será beneficiado pela eliminação de tarifas em produtos industriais e pesqueiros, além da abertura de cotas para itens agropecuários estratégicos, como carnes, milho, mel e óleos vegetais. Em 2025, o intercâmbio comercial com o bloco atingiu US$ 7,8 bilhões.
Acesso estratégico ao mercado asiático
O tratado com Singapura, formalizado em dezembro de 2023 durante a 63ª Cúpula do Mercosul, estabelece um marco histórico como o primeiro acordo de livre comércio do bloco com uma nação do Sudeste Asiático. A partir de 1º de agosto, o Brasil contará com tarifa zero para a totalidade de suas exportações destinadas ao país asiático.
O intercâmbio com Singapura é marcado por um superávit comercial robusto, que em 2025 atingiu US$ 4,1 bilhões. Além da desoneração tarifária, o acordo inova ao incluir um capítulo dedicado ao comércio eletrônico e diretrizes para facilitar investimentos e serviços, consolidando uma relação comercial moderna e dinâmica.
Consulta pública sobre o Japão
Em um movimento contínuo de abertura econômica, o MDIC iniciou no dia 2 de julho uma consulta pública para avaliar a viabilidade de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Japão. O processo, disponível na plataforma Brasil Participativo, recebe contribuições da sociedade e do setor produtivo até 15 de agosto.
O objetivo é mapear sensibilidades e oportunidades antes do início das negociações formais. O potencial do mercado japonês é expressivo, com um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de cerca de US$ 7 trilhões e um fluxo comercial que, em 2025, movimentou US$ 11,5 bilhões com o bloco sul-americano.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


