A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) iniciou uma ofensiva judicial contra o Grupo Master, protocolando três ações que buscam o ressarcimento de perdas bilionárias aos cofres públicos. O litígio gira em torno de investimentos realizados pelo Rioprevidência, o Fundo Único de Previdência Social do Estado, que totalizaram um prejuízo estimado em R$ 641,4 milhões após aplicações em fundos administrados pelo conglomerado, atualmente sob regime de liquidação extrajudicial.
Investigações sobre as perdas no Rioprevidência
O foco das ações judiciais recai sobre aportes realizados em dois fundos específicos: o Revolution e o Texas I FIA. Segundo a PGE-RJ, a gestão desses ativos teria sido marcada por irregularidades que comprometeram a integridade do patrimônio previdenciário estadual.
No caso do fundo Texas I FIA, a Procuradoria sustenta que o Rioprevidência foi alvo de uma estratégia de manipulação de mercado. A acusação aponta para uma compra coordenada de ações da Ambipar, realizada entre julho e agosto de 2024 pela gestora Trustee DTVM, empresa que também é alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga crimes de lavagem de dinheiro.
Suposta manipulação e descumprimento de normas
A petição da PGE descreve o ocorrido como uma armadilha arquitetada pela administração do fundo, que teria comercializado quotas lastreadas em ativos sem fundamentos sólidos. A situação agravou-se em novembro de 2025, quando o fundo deixou de cumprir as exigências da CVM, mantendo apenas 31% de seu patrimônio em ações, índice significativamente inferior ao patamar obrigatório de 67%.
Em relação ao fundo Revolution, as alegações envolvem a Acura, que teria votado favoravelmente a alterações no regulamento do FIDC Eicon. Tais mudanças, que incluíram a renúncia a direitos de voto e a extensão do prazo de amortização em 48 meses, prejudicaram diretamente o Rioprevidência, detentor de 10,7% das cotas.
Medidas cautelares e bloqueio de bens
Para garantir o ressarcimento, a PGE-RJ solicitou medidas cautelares severas contra os réus, totalizando R$ 616,6 milhões em valores alvos. O pedido inclui o bloqueio de ativos financeiros via Sisbajud e a indisponibilidade de um vasto leque de bens.
- Imóveis e veículos registrados em nome dos envolvidos.
- Ações, marcas e participações societárias.
- Embarcações e aeronaves de luxo.
- Ativos digitais, incluindo criptomoedas.
As autoridades buscam agora assegurar que o patrimônio dos responsáveis seja preservado para cobrir o rombo causado ao fundo previdenciário, enquanto o processo segue em tramitação judicial para apurar as responsabilidades civis e administrativas do conglomerado.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


